Ansiedade e insônia: por que uma pode alimentar a outra?
CEPAP - Centro Paulista de Psicologia
Você já deitou para dormir e, justamente quando o corpo precisava descansar, sua mente começou a pensar em tudo?
Conversas que aconteceram durante o dia, problemas que precisam ser resolvidos, compromissos do dia seguinte, preocupações com o futuro…
Para algumas pessoas, esse momento de silêncio acaba se transformando em um espaço para a preocupação.
Ansiedade e dificuldades para dormir podem estar relacionadas e, em alguns casos, criar um ciclo difícil de interromper.
Por que a ansiedade pode atrapalhar o sono?
Quando estamos ansiosos, o organismo pode permanecer em um estado de alerta aumentado.
Mesmo quando não existe uma ameaça imediata, a mente continua tentando antecipar problemas e encontrar soluções.
É comum, por exemplo, pensar:
“E se alguma coisa der errado?”
“Será que vou conseguir resolver isso amanhã?”
“Eu preciso dormir, porque amanhã tenho que acordar cedo.”
O problema é que a própria preocupação com o sono pode aumentar a tensão.
Quanto mais a pessoa tenta obrigar o corpo a dormir, mais frustrada e alerta pode ficar.
O ciclo entre ansiedade e falta de sono
A relação pode funcionar nos dois sentidos.
A ansiedade pode dificultar o início ou a manutenção do sono. Ao mesmo tempo, noites mal dormidas podem contribuir para maior irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço e menor capacidade de lidar com situações estressantes.
Assim, pode surgir um ciclo:
Ansiedade → dificuldade para dormir → cansaço → maior dificuldade para lidar com as preocupações → mais ansiedade → nova dificuldade para dormir.
Isso não significa que toda insônia seja causada por ansiedade. Alterações no sono podem ter diferentes causas e também precisam ser avaliadas considerando aspectos físicos, comportamentais e ambientais.
Como cuidar melhor dessa relação?
Alguns hábitos podem contribuir para uma rotina de sono mais saudável:
- manter horários de sono relativamente regulares;
- criar um período de desaceleração antes de dormir;
- reduzir o uso de telas próximo ao horário de sono;
- evitar excesso de cafeína, especialmente no final do dia;
- manter o quarto confortável, silencioso e escuro;
- evitar transformar a cama em um espaço de trabalho ou preocupação;
- praticar atividades de relaxamento;
- observar pensamentos recorrentes e preocupações que aparecem à noite.
Também pode ser útil reservar durante o dia um momento específico para organizar preocupações e tarefas. Dessa forma, a pessoa não precisa utilizar o horário de dormir como o único momento para “resolver a vida”.
E quando procurar ajuda?
Se as dificuldades para dormir são frequentes, persistentes ou estão prejudicando a rotina, é importante buscar avaliação profissional.
A psicoterapia pode ajudar a compreender os pensamentos e comportamentos envolvidos na ansiedade e no sono, além de trabalhar estratégias para lidar com preocupações e padrões que mantêm o problema.
Em algumas situações, também pode ser necessária avaliação médica.
Dormir não é apenas “desligar a cabeça”. O sono está relacionado ao funcionamento físico e emocional e merece ser tratado como parte importante da saúde.
Cuidar da ansiedade também pode ser uma forma de cuidar do seu sono. E cuidar do sono pode ajudar você a enfrentar melhor os desafios do dia.
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Imagem: Canva
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