Saúde mental em pauta: como cuidar de si e de quem está ao seu redor
CEPAP - Centro Paulista de Psicologia
Falar sobre saúde mental é falar sobre muito mais do que a ausência de transtornos psicológicos. É falar sobre a forma como lidamos com nossas emoções, construímos relacionamentos, enfrentamos dificuldades e encontramos recursos para viver.
Durante o Setembro Amarelo, essa conversa ganha ainda mais importância. A prevenção do suicídio passa também pela promoção da saúde mental, pela identificação de situações de vulnerabilidade e pelo fortalecimento de fatores que protegem as pessoas ao longo da vida.
Mas quais são os principais transtornos relacionados à saúde mental? Quais situações podem aumentar a vulnerabilidade? E o que podemos fazer para fortalecer a proteção emocional?
Saúde mental não é apenas “estar bem”
É comum associarmos saúde mental à ideia de estar sempre feliz, tranquilo ou positivo. Entretanto, uma pessoa emocionalmente saudável também pode sentir tristeza, ansiedade, raiva, medo, frustração e luto.
A diferença está, entre outros aspectos, na possibilidade de reconhecer essas emoções, lidar com elas e buscar ajuda quando os recursos disponíveis não são suficientes.
O sofrimento emocional se torna especialmente importante quando é intenso, persistente ou começa a comprometer a vida cotidiana, os relacionamentos, o trabalho, os estudos ou o autocuidado.
É nesse contexto que os transtornos mentais precisam ser compreendidos.
O que protege a saúde mental?
Se existem fatores que aumentam a vulnerabilidade, também existem fatores que podem ajudar a construir resiliência e favorecer o bem-estar psicológico.
Os chamados fatores de proteção podem estar presentes no indivíduo, nos relacionamentos e no ambiente em que ele vive.
Ter uma rede de apoio
Ter pessoas com quem conversar, compartilhar dificuldades e buscar ajuda pode fazer uma diferença importante.
Não é necessário ter uma grande quantidade de amigos. Relações significativas e seguras podem ser mais importantes do que quantidade.
Desenvolver habilidades emocionais
Aprender a identificar emoções, compreender pensamentos, comunicar necessidades e desenvolver estratégias para lidar com situações difíceis são habilidades que podem ser construídas ao longo da vida.
Inteligência emocional não significa controlar ou eliminar sentimentos. Significa aprender a reconhecê-los e responder a eles de maneira mais funcional.
Construir relações saudáveis
Relacionamentos baseados em respeito, segurança, comunicação e reciprocidade podem funcionar como importantes fontes de proteção.
Sentir-se pertencente a uma família, grupo de amigos, comunidade ou outro espaço significativo também pode contribuir para a saúde mental.
Cuidar do corpo
Saúde física e saúde mental estão profundamente relacionadas.
Sono adequado, alimentação equilibrada, movimento corporal, acompanhamento médico quando necessário e redução do consumo prejudicial de substâncias são componentes importantes do cuidado integral.
Ter acesso a tratamento
Buscar ajuda profissional não precisa ser o último recurso.
Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde podem contribuir para a prevenção, avaliação e tratamento de diferentes condições.
A psicoterapia, por exemplo, pode ajudar no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, autoconhecimento, regulação emocional e construção de relações mais saudáveis.
Prevenção também acontece antes da crise
Quando falamos em prevenção do suicídio, é comum pensarmos apenas em situações de emergência.
Mas prevenção também significa fortalecer a saúde mental antes que uma pessoa chegue a uma situação de extremo sofrimento.
Isso pode acontecer por meio de:
escuta → vínculo → identificação → orientação → tratamento → acompanhamento.
Uma conversa pode ser o primeiro passo.
Uma pessoa que percebe mudanças importantes em alguém próximo pode perguntar como ela está. Um profissional pode ajudar a identificar sinais de sofrimento. Uma família pode oferecer apoio. Uma pessoa pode decidir procurar terapia.
Pequenas ações podem abrir caminhos para cuidados maiores.
Cuidar da saúde mental é responsabilidade coletiva
Embora cada pessoa tenha responsabilidade pelo próprio cuidado, saúde mental não é uma questão exclusivamente individual.
Condições de trabalho, relações familiares, situação financeira, acesso à saúde, violência, preconceito e contexto social também influenciam a forma como as pessoas vivem e adoecem.
Por isso, promover saúde mental envolve também construir ambientes mais seguros, acolhedores e capazes de reconhecer o sofrimento.
Quando procurar ajuda?
Não é preciso esperar que o sofrimento se torne insuportável.
Procure ajuda profissional quando perceber que suas emoções, pensamentos ou comportamentos estão causando sofrimento significativo ou interferindo de maneira persistente na sua rotina, nos seus relacionamentos, no trabalho ou no autocuidado.
E, diante de pensamentos de morte ou suicídio, a busca por ajuda deve ser ainda mais urgente.
No Brasil, o CVV — Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência ou risco imediato, procure um serviço de emergência ou o pronto-socorro mais próximo.
Setembro Amarelo: mais do que uma campanha
Falar sobre saúde mental durante o Setembro Amarelo é importante, mas o cuidado não pode terminar quando setembro acaba.
Precisamos falar sobre saúde mental durante todo o ano.
Precisamos aprender a reconhecer sinais de sofrimento sem transformar pessoas em diagnósticos.
Precisamos fortalecer vínculos, combater o estigma e facilitar o acesso ao cuidado.
E precisamos lembrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
Cuidar da saúde mental é construir recursos para atravessar momentos difíceis, fortalecer conexões e preservar aquilo que existe de mais importante: a vida.
Se você percebe que não está conseguindo lidar sozinho, talvez esse seja justamente o momento de permitir que alguém caminhe ao seu lado.
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Imagem: Canva
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